terça-feira, 30 de agosto de 2016

Chapada Diamantina, um lugar encantado!

Uma das paisagens da Chapada
Já tem alguns dias que cheguei de uma viagem que fiz pra Chapada Diamantina e não consigo parar de lembrar dos momentos que passei naquele lugar maravilhoso.
Neste post, vou contar pra vocês os principais passeios que fizemos em 15 dias de viagem, alguns lugares que nos hospedamos, as cidades que passamos e principalmente como se virar por lá, já que quando fui pesquisar sobre esses assuntos na internet, não achei muita coisa.

 Fomos de carro em 4 pessoas, eu, meu namorado e mais dois amigos, saindo de Brasília e já adianto que essa não foi uma viagem pra descansar, ficar em hoteis caros e ir nos melhores restaurantes. Combinamos já de inicio que iriamos gastar menos dinheiro possível, então levamos barracas, sacos de dormir e muitas comidinhas que não perdem sem refrigeração, como castanhas, pasta de amendoim, torradas, frutas secas, etc. Ou seja, já deu pra perceber essa foi uma viagem mais roots, né?.



A CHAPADA DIAMANTINA

Sempre que viajo gosto de saber sobre a história e curiosidades do lugar. Na Chapada foi assim, eu pesquisei um monte de coisas na internet, mas aprendi mesmo foi com as pessoas que vivem lá.
Durante muitos anos a Chapada foi fonte de extração principalmente de diamantes, depois com o declínio do garimpo a economia começou a girar em torno do comércio das sempre-vivas e hoje em dia do turismo. Lá tem grutas, trilhas, nascentes, várias cachoeiras, sítios arqueológicos, natureza bastante diversificada e passeios que precisaria de dois meses pra poder conhecer tudo.

A IDA

Saímos de Brasília num sábado, mais ou menos 5 da manhã. Tínhamos em mente dormir na cidade de São Desidério (já na Bahia), pois vimos na internet que lá tem muitas cachoeiras por perto. Mas acabamos desistindo porque não tinha ninguém que pudesse nos informar muita coisa, seguimos então pra Seabra, chegando umas 21 horas e passamos a noite lá.

GRUTA DA TORRINHA,  LAGOA DA PRATINHA E GRUTA AZUL

Torrinha
No dia seguinte seguimos para a parte de cima da Chapada, perto de Andaraí. Como estava nublado, visitamos a Gruta da Torrinha primeiro. A Torrinha é uma caverna enorme, possui umas formações geológicas das mais raras do mundo, como a flor de aragonita. O passeio completo dura umas 2/2h30, custa R$ 60 por pessoa e compensa muito. O guia que nos acompanhou foi o Raimundo, super gente boa a apaixonado pelo que faz,  nos explicou tudinho.

De lá seguimos pra Lagoa da Pratinha e Gruta Azul, que ficam no mesmo lugar. Só pra entrar na propriedade custa R$ 30 por pessoa e só te dá direito a tomar banho na lagoa e olhar a gruta. Qualquer coisa que você queira fazer é pago, a tirolesa custa R$ 10, a flutuação com colete salva-vidas R$ 40 e um pacote com fotos suas custa R$ 60.

Gruta Azul

VALE DO CAPÃO

No mesmo dia seguimos rumo ao Vale do Capão e nos hospedamos no camping do Seu Dai pagando R$ 15 por pessoa por dia.
Camping do Seu Dai
Ficamos encantados com o Capão, é uma vila muito fofa no meio de cânions, habitada por na maioria, pessoas alternativas vindas do mundo todo. Demos algumas caronas por lá e numa dessas conhecemos um senhor francês que nos disse que as pessoas que moram lá às vezes abrem os comércios, às vezes não, pois querem desfrutar da vida e da família. Isso explica o porquê dos preços lá serem tão baratos. Comemos em um restaurante italiano (infelizmente não lembro o nome) que servia massas caseiras muito deliciosas a partir de R$ 11!

Saindo do Capão dá pra fazer várias trilhas, como a da Cachoeira Angélica e Purificação, Poço do Gavião e principalmente a do Vale do Pati. Vale a pena conhecer também o Riachinho e bem pertinho uma vila chamada Conceição dos Gatos. Logo na entrada de Conceição tem uma restaurante chamado Zezão e Zenaide que dá acesso à cachoeira das cobras (R$ 4) e também serve uma comida muito boa. Por falar em comida, se passar pelo Capão, não deixe de experimentar o pastel de palmito de jaca, a pizza integral, o godó de banana e a palma. Lá é o paraíso dos vegetarianos!

Oh o tanto que a jaca é importante lá!
LENÇÓIS

Apesar de ser bonitinha com aquelas casinhas coloridas, chão de pedras e tal, essa foi a cidade que menos gostamos por conta dos preços. Eu fiquei impressionada de verdade, pra se ter ideia o preço de uma cerveja longneck em qualquer restaurante do centro é R$ 11!
Por sorte achamos a pousada São José II, o preço da diária era R$ 80 o quarto sem ar condicionado e R$ 100 com ar para o casal.

Lençóis

POÇO DO DIABO, MORRO DO PAI INÁCIO, SERRA DAS PARIDAS E CACHOEIRA DO MOSQUITO

Todos esse lugares são relativamente perto um do outro. A entrada do Poço do Diabo fica em um restaurante/loja na BR 242, daí é super possível fazer a trilha até o poço sem guia, é bem bonito o lugar e bom pra tomar banho. Tirando o poço, os outros 3 passeios fizemos em um dia, fomos de manhã pra Serra das Paridas, seguimos pra Mosquito e depois pro Pai Inácio.

Poço do Diabo
Em 2005, depois de uma queimada que teve na região, moradores locais avistaram desenhos nas pedras que antes ficavam encobertas pela vegetação. Esse lugar hoje em dia é conhecido como Serra das Paridas, um sítio arqueológico com pinturas que datam de até 8 mil anos atrás.
Chegamos lá graças ao GPS, pois decidimos ir sem guia e pra nossa sorte foi a melhor coisa que fizemos. Fomos recebidos por Railton, o caseiro que cuida do local e acompanha os pesquisadores que vira e mexe vão pra lá realizar estudos. Foi um dos melhores passeios que fizemos, o Railton é uma figura e sabe muito sobre as pinturas, nos deu uma verdadeira aula.
Pra mim foi muito emocionante ver aquelas pinturas milenares, tem representações de peixes, tartarugas, onças, pessoas (em especial as paridas, que são mulheres no ato de dar à luz de cócoras) e até um et! O valor pra visitar foi R$ 25 por pessoas + R$ 80 do Railton.

O etezinho
Mosquito
A Cachoeira do Mosquito custa R$ 15 a entrada, tem que ir de carro e logo depois que estaciona tem que descer uma trilha até rápida. A cachoeira na época da seca é bem ralinha, mas é lindíssima! Foi uma das mais bonitas que vi na chapada, fica entre paredões de pedra e a queda é super alta.
Logo em seguida fomos para o Morro do Pai Inácio ver o pôr do sol, a entrada custa R$ 6 e valeu super a pena subir o morro ingrime. Apesar de clichê é um passeio que não pode deixar de ser feito, é realmente belo aquele pôr do sol, só não esqueça de levar blusa de frio, o vento lá é muito forte.

Vista do Pai Inácio
POÇO AZUL

Paga-se R$ 20 por pessoa pra entrar e ficar por lá uns 15/20 minutos e é obrigatório o uso do colete porque o poço é bem fundo, chega a 60 metros em algumas áreas. Que lugar lindo! A água por incrível que pareça não é muito gelada, é tão transparente que quando você entra dá pra ver as coisas lá no fundo. Fique atento, aquela cor azul da água acontece por conta dos raios de sol que batem lá entre 12:30 e 14 horas durante os meses de fevereiro a setembro.
Uma curiosidade que descobri depois, é que lá já foram encontrados ossos de animais pré-históricos, como mastodontes, tatu gigante, tartaruga e principalmente uma preguiça gigante.

Flutuação no Poço Azul

IGATÚ E MUCUGÊ

As cidades ao redor da Chapada são muito próximas umas das outras, o que é muito legal pois você pode conhecer vários lugares em um só dia, é o caso de Igatú e Mucugê!

Igatú
Em Igatú fomos na Cachoeira dos Pombos, a trilha pra chegar lá é linda, cheia de flores de tudo quanto é cor. A cidade é uma gracinha, pena que o único restaurante aberto que encontramos era bem caro e não nos deu muita vontade ficar por lá. Seguimos então pra Mucugê!
Cachoeira dos Pombos
Mucugê é uma graça também e com mais estrutura que Igatú, lá ficamos hospedados na Pousada dos Encantos pagando R$ 30 por pessoa sem café da manhã. Estando lá, visitamos o Museu do Garimpo, sendo recepcionados por Edmundo, um homem que nasceu na região e é descendente de garimpeiros. Ele foi super gentil com a gente, explicou tudo sobre a época da extração de diamantes na região. Bem pertinho de lá tem o Projeto Sempre-Viva, um museu dentro de um parque municipal que conta a história da relação da região com a sempre-viva, uma plantinha com umas variações endêmicas da região da Chapada Diamantina, ou seja, só lá tem, mas que entraram em extinção logo após a proibição do garimpo na região, que gerou uma crise entre os moradores que tiveram que arrumar novas formas de sustento: a colheita da sempre-viva.

Brotinho de Sempre-Viva
O preço para visitar o museu é R$ 10 e você pode visitar duas cachoeiras dentro do parque, a Piabinhas e a Tiburtino, a trilha é cheia de placas e bem tranquila.

Tiburtino
VALE DO PATI

Encaramos um trekking de 3 dias dentro do Vale do Pati que fica bem no meio da Chapada. Antes de tudo pesquisamos preços em agências e achamos super caro, especialmente saindo de Lençóis. Fomos orientados então, a procurar guias não credenciados a agências, o que nos levou a uma vila chamada Guiné. Lá uma pessoa nos indicou Pedro, o presidente da associação de guias de Guiné. Combinamos tudo direitinho com ele, horário e valores: saindo no dia seguinte às 8 da manhã pra ficar 3 dias no vale por R$ 200 a diária dele + o valor para nos hospedar na casa dos nativos. Então fomos nós!

Ao fundo o Vale do Pati
O Vale do Pati já foi tomado pela plantação de café e gado, só que essas práticas foram proibidas em 1985 quando a Chapada Diamantina se tornou parque nacional. Hoje em dia vivem no parque pouquíssimas pessoas e elas vivem basicamente de turismo nas comunidades onde as pessoas se hospedam. O acesso lá é feito só à pé ou com burro.

Inicialmente pensamos em levar barracas para acampar, mas o peso das mochilas nos fez desistir e acabamos tentando levar só o básico e comida para cozinharmos à noite. A trilha começa no pé de um morro, eu que sou sedentária e tenho pouco preparo físico sofri muito nessa subida, mas quando olhei pro lado e vi um senhor magrelo carregando um tanquinho nas costas dizendo que tava de ressaca eu tratei de fingir que tava ótima rs. Logo em seguida chega uma parte reta com uma vista maravilhosa do vale e depois uma descida ingrime e mais uma caminhada e chegamos na Igrejinha.
Depois de uma pausa pra deixar as mochilas e fazer um lanche, seguimos para a Cachoeira do Funil, voltamos pra Igrejinha no final da tarde totalizando uns 10 Km de caminhada nesse dia.

Vista da janela na Igrejinha
No segundo dia, combinamos com Pedro de sair às 8 horas em direção ao Morro do Castelo. A caminhada é difícil, tem partes dentro da floresta e tem a parte de literalmente escalar, mas a recompensa vale a pena. A vista de cada pedra que você vai subindo é de tirar o fôlego, tem até uma passagem por uma gruta e quando chega na parte mais alta dá uma emoção em ver o quão lindo é aquele lugar! Infelizmente o tênis que eu estava usando acabou com meu pé e criou muitas bolhas, o que fez com que a descida não fosse tão prazerosa. À noite, já de volta à Igrejinha, fizemos nossa janta e paramos um tempinho pra olhar pro céu estrelado, aquilo é um espetáculo!


Ah e sobre a Igrejinha, é uma comunidade bem simples mas com estrutura pra receber os visitantes, com camas, banheiros e cozinha. Nós optamos por dormir em quartos lá e fazer nossa própria comida, o que custou R$ 35 por noite (por pessoa) + R$ 10 por dia de uso da cozinha (grupo). Muitas pessoas preferem pagar o jantar e o café da manhã feitos pelos locais da comunidade, o que fica R$ 100 por dia. Eu gostaria de ter feito isso por uma questão de incentivo e de provar da comida (que dizem ser muito boa) e também porque fazer refeições descentes ajuda bastante quando se está fazendo trilha.
Comunidade da Igrejinha

O terceiro e último dia a caminhada seria mais longa, aproximadamente 20 Km. Saímos cedo e em umas 3 horas de caminhada chegamos ao  Cachoeirão visto por cima. A vista é fantástica, a água desce e vira uma fumaça antes de chegar em baixo de tão alto que é. Dizem que em época de chuva dá pra ver várias quedas d'água caindo. Depois disso tomamos um banho gelado num pocinho lá perto, lanchamos e pegamos a trilha que nos levaria embora. Andamos a tarde toda e enfim chegamos no último morro que iríamos descer, o Morro dos Aleixos. Pra mim foi a descida mais tranquila de todas, talvez pela mistura da sensação de dever cumprido com a gratidão por ter tido a chance de estar um um lugar tão maravilhoso.
Pensa num lugar alto

Acho que essa foi uma das experiências mais lindas que eu já tive na vida, estar no meio da natureza com pessoas tão legais superando os limites que nem eu sabia que seria capaz é muito bom! Gratiluz rs!

Ah e faço questão de deixar AQUI o contato do Pedro, que nos aturou durante esses 3 dias. Excelente guia, sabe muito sobre as trilhas e a natureza da Chapada. Muito sábio, nos orientava a andar pelos melhores lugares e até a fazer silêncio nas horas necessárias, como quando estávamos perto de caixas de marimbondos. Falo isso pois a escolha do guia irá influenciar em muito se o trekking será maravilhoso ou péssimo!

Esse é o guia Pedro

BURACÃO

Buracão embaixo
Fica em Andaraí e é obrigatória contratação de guia, que saiu R$ 30 (guia) + R$ 6 (entrada do parque) por pessoa se for com veículo próprio, com veículo da agência sai R$ 180 o carro e R$ 300 a van. A estrada que se faz de carro é de terra e dura 1 hora e depois tem que ir à pé durante uns 40 minutos com várias paradas em cachoeiras.

Buracão de cima

O Buracão é impressionante, tem um volume de água forte pois é resultado do encontro de 3 rios. É obrigatório o uso do colete para quem quer chegar lá flutuando ou dá pra ir pelas pedras também. Lindíssimo!

ALGUMAS DICAS

App para celular
Tem um aplicativo chamado Guia da Chapada Diamantina pra baixar grátis no celular, é só buscar no Google Play.

Contratação de guias
A maior parte dos passeios que tem na Chapada não tem placas informando direitinho como se chega no lugar, acho que isso é uma estratégia pra obrigar as pessoas a procurarem guias. Acho que ter um guia pode tonar o passeio mais rico e obviamente mais seguro, além de que é a forma que muitas pessoas tem de sobreviver. Porém, nem todas as trilhas necessitam realmente de um guia, nos viramos até bem usando o Google Maps e principalmente perguntado para os moradores.

Natureza
Dá pra fazer uma viagem rica pra Chapada, lá tem pousadas e restaurantes sofisticados e até uns SPA's chiques. Mas se você, assim como nós fizemos, quer fazer um mochilão, prepare-se pra estar em contato com a natureza quase o tempo todo, então essa não é uma viagem pra quem se incomoda com insetos, sol, animais, cachoeiras com água gelada (parece água que saiu da geladeira), comida simples, acordar e dormir cedo, etc.

Trekking
>> usar um tênis qualquer, não faça isso! Tenha de preferência uma bota super confortável;
>> comida, eu que tenho o metabolismo muito ligeiro, sofri demais com fome. Leve comidas leves mas que encha o bucho, como pão, barras de cereais, atum em lata, frutas, etc.
>> preparo físico, esse danado me fez muita falta, principalmente nas subidas!

Rodovias
Fomos por Brasília passando por Formosa e Posse ainda no estado de Goiás, essa parte é até tranquila. Quando chega na BA-463 a via é quase deserta, entretanto é muito esburacada e a BA-242 eu achei um tanto perigosa por ter quase que só caminhões, vimos também muitos animais na pista.

Distância e gasolina
Gastamos um total de R$ 1.157 entre sair de Brasília, fazer os passeios e voltar, andamos mais ou menos uns 3.000 Km.

Espero com esse post, ajudar quem tem planos de ir pra Chapada, um lugar que com certeza quero voltar pra fazer os passeios que não tivemos oportunidade :)

2 comentários:

  1. Natália,

    Agradeço muito suas dicas.
    Estou indo com minha esposa para lá dia 05/07 (quarta próxima) e estarei atento às suas sugestões.
    Valeu !!!

    Toninho Galdeano

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    1. Olá, Toninho, que ótimo que gostou das dicas!
      Boa viagem e aproveite a Chapada,
      abraço!

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